Mentor de ataques será julgado em Guantánamo

06/04/2012 00:37



Washington O acusado de ser o autor intelectual dos ataques de 11 de setembro, Khalid Sheikh Mohammed, e outros quatro supostos cúmplices foram encaminhados na quarta-feira para julgamento em um tribunal para crimes de guerra em Guantánamo, informou o Pentágono. Pesam sobre eles acusações que poderão levá-los à pena de morte. Os cinco são acusados de planejar e executar os ataques de 11 de setembro de 2011, com aviões sequestrados, em Nova York, Washington e Shanksville, no Estado da Pennsylvania, que resultaram na morte de 2.976 pessoas.

Eles são acusados, ainda, de terrorismo, sequestro de avião, conspiração, homicídio em violação da lei da guerra, entre outros, e foram indicados para um tribunal militar capital - o que significa que poderão ser condenados à morte, informou ontem o Pentágono.

A decisão de levar o caso a uma comissão militar indica que os cinco serão acusados perante um juiz militar na Estação Naval da Baía de Guantánamo, em Cuba, dentro de 30 dias.

O encaminhamento das acusações ocorre um ano depois de o governo do presidente Barack Obama ter abandonado os esforços para julgar Mohammed e seus quatro cúmplices: Ramzi bin al-Chaiba, Ali Abd al-Aziz Ali, Wallid ben Attach e Mustafá al-Houssaoui, em uma corte civil, como havia prometido antes, e só depois levar o caso a um tribunal militar.

O procurador-geral Eric Holder culpou os parlamentares pela reviravolta política, dizendo que a decisão deles de bloquear o financiamento para processar os suspeitos pelo 11 de setembro em um tribunal de Nova York amarrou as mãos do governo e o forçou a transferir o caso a uma corte militar.

Condenou

A União Americana pelas Liberdades Civis (Aclu) condenou na quarta-feira a decisão de seguir com o julgamento militar.

"O governo Obama está cometendo um erro terrível ao promover os julgamentos mais importantes do terrorismo de nosso tempo em um sistema de Justiça de segunda linha", disse o diretor executivo da Aclu, Anthony Romero, em um comunicado.

"Qualquer que seja o veredicto das comissões militares de Guantánamo, ele será manchado por um processo injusto e pelas políticas que retiraram erroneamente esses casos das cortes federais, que julgaram de forma bem-sucedida e segura centenas de casos de terrorismo", disse.

Khalid Sheikh Mohammed, mais conhecido por "KSM" foi capturado em 2003 no Paquistão. Em março de 2007, admitiu ter decapitado pessoalmente o jornalista Daniel Pearl, do The Wall Street Journal, sequestrado por terroristas no Paquistão.