Racionamento de água preocupa municípios cearenses

14/03/2013 08:42

O racionamento no abastecimento de água que já atingiu Pacoti, no Maciço de Baturité, e Quiterianópolis, no sertão dos Inhamuns, por causa da seca, tem causado apreensão em cidades que estão com situação hídrica de instabilidade. É o caso de Tauá e Crateús, ambas na região dos Inhamuns, além de Beberibe, município do litoral leste.


Segundo a prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar (PMDB), o açude Trici (15,23% de volume), que abastece a cidade, deve ainda aguentar mais dois meses sem recarga d’água. “Se não houver chuvas, a barragem vai colapsar”, enfatiza. Ainda mais tempo sem precipitações substanciais deixariam a situação ainda mais caótica.


A solução mais rápida encontrada para Tauá foi a transposição de um água bruta do açude Favelas (29,77% de volume) a ser tratada e distribuída pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). A médio prazo, o governo do Estado autorizou a começar licitação para construção de adutora que vai transferir água do Arneiroz II (37.35% de volume), ao longo de 42 km.


Em Crateús, o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Wagner Claudino Sales, afirma que a maior preocupação aponta para o aspecto econômico. Caso haja necessidade de comprar água, o preço poderá se elevar acima da capacidade financeira dos habitantes, diz ele. Em Beberibe, a situação tem exigido a perfuração de poços profundos. Sete ao todo devem ser perfurados nos próximos dias.


A situação de Crateús é a mais difícil. De acordo com o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Rennys Frota, o bombeamento para a cidade será feita a partir do porão do reservatório Carnaubal (7,39% de volume), porque está abaixo da capacidade de bombeamento normal. Para evitar colapso, Frota diz que a água pode vir dos açudes Jaburu II e Flor do Campo. Essa transferência ainda não foi feita já que o Carnaubal teria potencial hídrico a ser explorado.


Pacoti e Quiterianópolis

A proprietária de hotel em Pacoti, Marly Santos Teixeira, diz, embora sua hospedagem não sofra com a falta d’água por ter abastecimento próprio, que alguns hotéis da cidade estão passando por problemas depois do racionamento. Em alguns casos os funcionários precisam lavar fardas no hotel. A atendente Aline Macedo, de Quiterianópolis, explica que o racionamento não está sendo tão sentido uma vez que, por conta da qualidade da água que saía das torneiras, a cidade já está sendo abastecida por carro-pipa. O açude Colina (5,2% de volume) está numa das piores situações do Estado.