A cidade do Pré

A cidade do Pré

Nos fins de semana de janeiro e fevereiro, Fortaleza se reconfigura com as apresentações dos mais de 100 blocos de Pré-Carnaval, espalhados pelos principais bairros da cidade. Apesar dos últimos cinco anos evidenciarem a força e o crescimento inegável de tal manifestação popular, a festa já dava seus primeiros sinais em meados dos anos 80. Neste período, os blocos pioneiros desfilavam com a ajuda de amigos, colegas de vizinhança e doações dos brincantes.

 

Diferente das agremiações de Carnaval que se organizam mediante a Federação das Agremiações Carnavalescas Cearenses (FACC), a maioria dos blocos de Pré-Carnaval se estruturam ainda de forma individual, por iniciativa da própria comunidade, que corre atrás de patrocínio. Com o desenvolvimento da festa e o aumento do número de blocos, a Prefeitura de Fortaleza lançou em 2007 o primeiro Edital de Apoio ao Pré-Carnaval de Rua de Fortaleza, com investimento inicial de R$ 247,5 mil e apoio a 45 blocos. Em 2012, cada um dos 60 blocos selecionados pelo edital recebe o montante de R$ 6 mil.


Apesar do aumento do investimento, o apoio do poder público municipal ainda é simbólico para blocos tradicionais. “Não dá para pagar muita coisa. Só com a banda, gasto R$ 5 mil pelos quatro sábados”, afirma Jânio Soares, presidente do Periquito da Madame, que há cinco anos é contemplado pelo edital. O mesmo acontece com o Que Merda é Essa, que já chegou a se apresentar durante 14 sábados em outros anos, mas sofre cada vez mais com a falta de incentivo. “Tem momentos em que a gente perde a vontade de fazer, mas continuamos com a boa vontade e a garra de poucos”, comenta o presidente Geraldo Rodrigues Filho.


De acordo com a coordenadora do comitê gestor de Pré-Carnaval da Prefeitura de Fortaleza, Elizabeth Reis, o edital tem o compromisso de dar apenas um apoio para os blocos, que devem se estruturar com captação de recursos próprios a partir da mobilização nos próprios bairros. “É um evento espontâneo. Entendemos que o valor não é suficiente para custear o bloco, mas o Pré-Carnaval não é realizado pela Prefeitura, como o Carnaval é”, argumenta Elizabeth. Para Waldemir Borges Lima, do bloco Cheiro, o apoio da Prefeitura chegou na hora certa. “A ajuda é primordial, mas mesmo sem este recurso a gente sai com o bloco. Temos capacidade e estrutura para isso. Desafio outra cidade a fazer um Pré-Carnaval melhor que o nosso”, anima Borges.


Diante da atual configuração do Pré-Carnaval de Fortaleza, o Vida & Arte Cultura procura compreender como ocorreu o desenvolvimento desta festa popular, de que modo as políticas culturais municipais interferiram neste processo e como os blocos cresceram e se reestruturaram com patrocínios empresariais.

Fonte: Jornal O Povo