A indústria que o Ceará quer

A indústria que o Ceará quer

O Ceará ficou a ver navios com a ida de mais um estaleiro para Pernambuco. A montadora chinesa Foton se dirigiu para a Bahia depois de cogitar se implantar no Ceará. Também vinda da China, a Cherry preferiu ficar em São Paulo. Esses investimentos somam mais de R$ 1,5 bilhão, que não foram aplicados no Ceará.


 

 

Valor próximo a esse é o de R$ 1,2 bilhão dos protocolos de intenções que tramitam na Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), aprovados na reunião de maio e na pauta da próxima deliberação. Ao todo, são 57 empresas nessa situação, com possibilidade de gerar até 9 mil empregos.


 

Os números deixam o Ceará em situação confortável e mais exigente na atração de investimentos segundo Roberto Smith, presidente da Adece. Ele afirma que o trabalho de prospecção tem foco em formação e consolidação de cadeias produtivas, e as principais são: energias renováveis, metalmecânica, fármacos, têxtil, confecções e fruticultura.


 

Os critérios para a seleção são as potencialidades do Estado e as empresas já instaladas. “São pontos onde os empresários percebem que temos vantagens competitivas”, afirma Smith. Também é levado em conta o potencial de agregar valor à produção cearense e a projeção de futuro do mercado.


 

Montadoras


 

Sobre montadoras, por exemplo, o presidente explica que indústrias que compram de sistemistas, fábricas que fornecem peças que são exclusivas a determinada marca, não são as mais atrativas para o Estado. “Isso não estrutura cadeia produtiva, cada montadora define o que quer e se fecha.”


 

Selecionar, entretanto, não significa fechar-se à implantação de investimentos de outros segmentos. “A gente pega tudo. Mas, na verdade, temos discernimento sobre aquilo que é importante”. Diante do interesse de uma montadora sistemista, por exemplo, o Governo deve se mobilizar para atraí-la, podendo haver a participação do Estado como sócia.


 

O discernimento também evita que o Estado caia em armadilhas, investindo em empreendimentos arriscados ou com retorno duvidoso, segundo Smith. Ele diz que o Estado sofre com assédio de empresas com interesse de instalar negócios mirabolantes, mas com problemas de mercado.


 

Para o economista Alípio Leitão, diretor-geral da Mesométrica Análises e Consultoria, o Estado está mirando nos lugares certos. “Você quer prover o Estado com indústria longeva, que possibilite a formação de cadeias e empregue. É necessária certa ousadia, o que as pessoas vão precisar em 20 ou 30 anos”.