70% dos leitos são ocupados por vítimas de acidente de moto

70% dos leitos são ocupados por vítimas de acidente de moto

O trânsito no Ceará tem gerado cada vez mais acidentes, que envolvem, especialmente, motociclistas. No Instituto José Frota (IJF), os dados são alarmantes. O volume de pacientes é tão grande que, dos 403 leitos do hospital, 70% são ocupados por vítimas de acidentes de moto. “Esses acidentes se tornam mais graves a cada dia”, destaca o diretor-executivo do IJF, Casemiro Dutra. Em números gerais, houve um aumento drástico de pouco mais de 1.000% na quantidade de atendimentos nos últimos dez anos.

 

Enquanto no ano 2000 foram atendidas 670 ocorrências do tipo, até setembro do ano passado, o número chegou a 7.985 atendimentos. Segundo Casemiro, com o aumento do poder aquisitivo, os cearenses vêm trocando a bicicleta pela moto, sem o devido preparo. Ele informou que, apenas em dezembro de 2011, 898 pessoas foram atendidas devido a acidentes de moto, uma média de 29 por dia.


O perfil dos pacientes é fácil de ser identificado. “A maioria é homem, 50% são do Interior e 60% têm entre 15 e 45 anos”. Para melhorar o atendimento, desde dezembro, o IJF fez um convênio com o Pronto-Socorro dos Acidentados, para onde são encaminhados os casos considerados mais simples. Só em dezembro de 2011, 100 pacientes foram deslocados para lá.


O caso é tão grave que já rendeu até uma dissertação de mestrado feita pelo cirurgião do IJF, Lineu Jucá. Em uma pesquisa com cerca de 600 pacientes internados devido a acidentes de moto entre 2007 e 2008, ele constatou que 56% não usavam capacete, 42% estavam embriagados e 55% não tinham sequer habilitação.


A falta de carteira foi um dos erros de um montador de som de 20 anos, internado há 15 dias. Morador de Quixadá, ele conta que guia motocicletas desde os 12 anos. No dia 7, acabou sendo atropelado por um carro que, segundo ele, vinha no sentido contrário, com os faróis apagados. “Eu vinha errado, sem capacete. Quando eu ficar bom, vou tirar a carteira, mas de carro”.


Quem também ficou com trauma de moto foi o porteiro Jonas Silva, 22. Desde novembro internado no IJF, ele voltou para casa, ontem, cheio de forças para enfrentar seis meses sem pôr um dos pés no chão e depois três longos meses de fisioterapia. O acidente não foi por falta de habilitação e nem de capacete, o que prova que nem todo motociclista está errado. “As coisas (acidentes) já acontecem andando devagar, se eu fosse rápido tinha morrido na hora. Moto não está dando vantagem, não. Tô com medo, carro é mais seguro”.