E o vento ainda não levou

E o vento ainda não levou

Pioneiro na implantação de usinas eólicas no Brasil, o estado do Ceará vê o crescimento acelerado de estados concorrentes como Rio Grande do Norte, Bahia e Rio Grande do Sul no número de projetos de geração de energia a partir de matriz eólica, das fazendas eólicas e de empreendimentos ligados à cadeia produtiva do setor. Mas a corrida não está perdida. É o que afirmam empresários e lideranças do setor de energia elétrica no estado. Enquanto isso, empresas como Alstom (França), um dos maiores grupos do planeta em infraestruturas de produção e transmissão de energia elétrica, a General Eletric/GE (EUA) e Gamesa (Espanha), fabricante de aerogeradores, dentre outras cujos nomes são mantidos na confidencialidade, escolheram se instalar na Bahia.


 

 

O governador da Bahia, Jaques Wagner, diz que o objetivo é transformar o estado em um polo de construção de equipamentos aerogeradores para suprir toda a demanda da América Latina. “Somente com os três leilões realizados pelo Governo Federal já são investimentos de R$ 6 bilhões em 52 parques eólicos”, declarou o governador durante a Brazil Windpower 2011, realizada no Rio de Janeiro. Até setembro de 2012, 18 parques deverão estar funcionando na Bahia. Estes números são bastante atraentes aos novos investidores que buscam os polos eólicos mais desenvolvidos da região. Quem afirma é o secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Estado, James Correia. A Impsa Energy (Argentina), maior investidora em energia eólica da América Latina, também preteriu o território cearense e optou por Pernambuco. Te cuida, Ceará!


 

E como estamos perdendo esta corrida? Alguns dos principais entraves apontados pelos entrevistados dizem respeito a problemas com a obtenção das licenças ambientais junto aos órgãos de defesa do meio ambiente e Ministério Público Estadual e Municipal, especulação imobiliária das áreas litorâneas do estado (com maior potencial eólico) pois a maioria está nas mãos de particulares ou são áreas de preservação permanente, comunidades que rejeitam a instalação de usinas em seu território, e falta de uma política agressividade do governo estadual para fisgar estes investidores.


 

O vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Lauro Fiúza, diz que sua tarefa na entidade é participar de negociações no exterior, fazendo a ligação de empresas estrangeiras que queiram vir para o Brasil. Semana passada, Fiúza esteve reunido com um grupo do México que deseja se implantar no país com uma fábrica de aerogeradores elétricos para usinas eólicas. “Eles vão analisar em que estado brasileiro irão se instalar. O mais lógico é que eles venham para onde haja mais fábricas de geradores. Hoje, a Bahia está começando a despontar como maior polo de aerogeradores. Até mesmo a dinamarquesa Vestas planeja mais uma fábrica no Brasil, na Bahia”, afirma.