"Eu achava que estava no Titanic," diz passageira cearense

"Eu achava que estava no Titanic," diz passageira cearense

Enquanto aguardavam a volta para seus países, os passageiros que tiveram de deixar o navio de luxo Costa Concordia, que naufragou na última sexta-feira, 13, na Itália, precisaram da solidariedade da população local italiana para se manter, que forneceu cobertores e alimentação para as vítimas do desastre. Os cearenses que estavam a bordo da embarcação já estão no Estado.


Os primeiros cinco deles desembarcaram no Aeroporto Internacional Pinto Martins, na Capital, por volta das 8h30min de ontem, e foram recebidos por familiares. Aparentemente cansados, eles evitaram dar declarações à imprensa e saíram rapidamente do local.


“É boa a sensação de pisar em terra”, resumiu Plínio Ramos, neto dos organizadores da viagem para o cruzeiro, acompanhado da namorada, a estudante Lia Cavalcante, 17, que também estava na embarcação. A empresária Leila Pinto comparou: “Eu achava que estava no Titanic. Foi terrível”, disse. “Estou feliz. É uma sensação muito agradável chegar em casa”, completou. Eles embarcaram em Lisboa no domingo, 15, em voo para Salvador (BA), com escala em Recife (PE).


Antes do desembarque, os parentes que aguardavam sua chegada no saguão do aeroporto disseram que os brasileiros puderam contar com o apoio da Embaixada Brasileira na Itália, apesar, segundo eles, de a estrutura oferecida ter sido insuficiente.


Fernanda Buttgereit, mãe de Lia, conta que o momento foi de contenção da estrutura para atender às necessidades de todos os resgatados do navio. “Eles tinham de regrar o uso do celular, porque não sabiam por quanto tempo iriam precisar usá-lo. Então, ela falava rápido e desligava. Eu só tinha notícias em três ou quatro horas”, relembra.


Ela conta que a embaixada forneceu roupas e calçados para as vítimas, que perderam toda a bagagem e os documentos no acidente. Além disso, objetos de valor e o dinheiro dos passageiros ficaram guardados do cofre do navio encalhado na costa da Ilha de Giglio.


Todos os 17 cearenses passageiros do cruzeiro eram da mesma família em viagem de comemoração de 50 anos de casamento dos patriarcas.