Faltou futebol no PV

Faltou futebol no PV

Fortaleza e Ceará empatam sem gols no primeiro jogo da decisão do Estadual e deixam título em aberto

A alta temperatura nos bastidores do Clássico-Rei não se transferiu para campo quando a bola rolou. Na primeira partida da decisão do Estadual, Fortaleza e Ceará fizeram um jogo morno e sem gols, aquém da importância do embate, frustrando as duas torcidas presentes ontem à tarde no Presidente Vargas (PV).

Talvez o resultado tenha frustrado menos a torcida do Ceará, que com um novo empate no próximo domingo comemorará o bicampeonato do Vovô. Aos tricolores, apenas a vitória desviará a rota da taça para o Pici.

Os primeiros minutos de partida deram a errônea impressão que o clássico seria eletrizante. "Ajudados" pelo árbitro Héber Roberto Lopes, que deixou o jogo correr, os dois times alternaram ataques velozes e perigosos.

Mas as chances de gol mesmo foram tricolores. Primeiro, aos 2 minutos, Mariélson deixou Régis e Thiego para trás e chutou forte para fora. Depois, aos quatro, com Jaílson, que matou no peito um passe perfeito de Esley e chutou forte para defesa de Fernando Henrique.

Mas com os times fechados na defesa, congestionando o meio-campo e se respeitando demasiadamente, sobrou marcação, divididas e, sem espaços para a criação de jogadas, o futebol sumiu. Ninguém queria dar um mínimo espaço ao adversário, sob pena de perder terreno na decisão.

Assim, outra chance de gol - a última do primeiro tempo - só surgiu aos 17 minutos, em cabeçada de Felipe Azevedo, que o goleiro João Carlos espalmou.

A partir daí, o que se viu foram tentativas frustradas de chutes de fora da área, com os tricolores Esley e Mariélson, e o alvinegro Apodi, mas que ficaram longe de levantar as torcidas.

Foi pior

A ânsia por um segundo tempo melhor, com os dois times se soltando mais, não se confirmou, para decepção de alvinegros e tricolores, que mereciam ver um futebol de mais qualidade.

Ainda que os dois times tenham procurado sair para mais o jogo na primeira metade da etapa final - principalmente o Fortaleza -, as defesas bem postadas anularam os ataques e os goleiros não trabalharam.

Não dessa vez

O jogo só foi ganhar em emoção nos minutos finais, quando o técnico alvinegro PC Gusmão - por meio do auxiliar Anderson Silva, já que foi expulso no primeiro tempo - colocou Reina, Romário e Misael em campo, dando novo fôlego ao ataque do Vovô - justamente o que faltava ao Fortaleza naquele momento do jogo.

O Leão, aliás, estava mais cauteloso, com as substituições do técnico Nedo Xavier, que chegou a tirar o meia Geraldo para pôr o volante Lucas.

O Vovô teve três chances de sair de campo vencedor: aos 38 minutos, Misael foi mais rápido que a defesa tricolor, ficou à frente do goleiro João Carlos, mas acertou a trave em chute colocado; Romário aos 40, ganhou pela direita e chutou cruzado para fora, e, quatro minutos depois, na última chance, cabeceou rente à trave, após tiro de meta batido por Fernando Henrique.

Assim, ao contrário dos dois clássicos anteriores no ano, em que cada um ganhou com gol nos minutos finais, ele não saiu dessa vez e o placar foi conivente com o pouco futebol apresentado pelos dois finalistas.

PC na bronca com a arbitragem

O técnico do Ceará, Paulo César Gusmão, saiu na bronca com a arbitragem do paranaense Héber Roberto Lopes. O comandante do Vovô, além de reclamar de sua expulsão aos 33 minutos do primeiro tempo, criticou a falta de acréscimos definida pelo árbitro na etapa final, quando o Alvinegro era melhor.

"Quando o Ceará estava em cima para fazer o gol, ele (o árbitro) deu 45 minutos e acabou. Vocês já viram isso? Um jogo com cinco substituições no segundo tempo e não tem acréscimo?", indagou o técnico.

PC também chamou atenção para sua expulsão, que considerou perseguição do árbitro. "Quando eu erro, como foi contra o Paraná, tudo bem. Mas hoje (ontem), eu não fiz absolutamente nada para ser expulso. A arbitragem foi desastrosa".

Por fim, o técnico entrou na polêmica de escalar árbitro local ou de fora. "O Fortaleza não quis arbitragem local, a custeou, o Ceará aceitou, mas não por isso o árbitro precisa beneficiá-los".

Magno Alves

Ao fim da partida, o presidente do Ceará, Evandro Leitão admitiu o interesse em Magno Alves. "Ele ainda está no Catar, resolvendo suas questões por lá. Passa por ele ficar lá ou vir para o Brasil. Essa semana ele estará decidindo. Se rescindir lá, o Ceará tem boas chances de contratá-lo. Admitimos o interesse nele".

Nedo não deixará de lado a Copa do Brasil

Mal terminou o duelo contra o arquirrival Ceará, ontem, e o Fortaleza já volta as suas atenções para o duelo contra o Grêmio, pelas oitavas de finais da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, em Porto Alegre.

Devido ao desgaste físico, o técnico Nedo Xavier deve avaliar a situação de alguns titulares para decidir se eles jogam ou não no jogo do meio da semana.

"O Rafinha, o Jadilson e o Cléo, por exemplo, têm se esforçado muito e podem estar na iminência de um problema de contusão. Devemos avaliá-los para saber se eles possuem ou não condição de jogo", afirmou.

De acordo com Nedo, mesmo tendo uma decisão de Campeonato Cearense no próximo domingo, à equipe não deixará de priorizar a Copa do Brasil. "Nós não iremos para Porto Alegre para fazer feio. A gente tem que ir para lá para jogar e não para ser um mero coadjuvante", pregou.

Garantia

De acordo com o lateral Rafinha, embora o desgaste físico esteja grande, ele deverá jogar na quarta-feira. "É lógico que a gente está cansado, já que estamos vindo de uma sequência de jogos decisivos, mas eu não estou com nenhum problema de contusão e quero jogar contra o Grêmio", afirmou o atleta.

Já para Cléo, a decisão da sua escalação ou não fica a cargo do comandante do Leão do Pici. "Se ele optar por me deixar no banco, eu irei entender, assim como estarei a disposição dele caso ele queira me utilizar".

Cléo acrescentou que, mesmo com a vantagem gremista, o Fortaleza tentará reverter o quadro para voltar motivado para a decisão do Estadual contra o Ceará. O Fortaleza já embarca na manhã de hoje rumo a Porto Alegre.

FICHA TÉCNICA

Fortaleza 0

João Carlos; Rafinha, Ciro Sena, Cléber Carioca e Kauê; Leandro, Marielson, Geraldo (Lucas) e Esley (Bismarck); Cléo e Jaílson.

Técnico: Nedo Xavier

Ceará 0

Fernando Henrique; Apodi, Thiego, Potiguar e Márcio Careca; Heleno, Régis, Eusébio e Rogerinho

(Reina); Mota (Misael) e Felipe Azevedo (Romário).

Técnico: PC Gusmão

Campeonato Cearense 2012
Data: 6 de Maio de 2012.
Estádio: Presidente Vargas,
em Fortaleza (CE).
Renda: R$ 332.643,00
Público: 13.832 pagantes
Árbitro: Héber Lopes (Fifa/PR)
Assistentes: Carlos Berkenbrock (Fifa/SC) e Rodrigo Joia (Fifa/RJ)
Cartões Amarelos: Jaílson e Cléo (FOR)

VLADIMIR MARQUES
REPÓRTER