O bairro que ainda mantém ares de interior em meio à metrópole

O bairro que ainda mantém ares de interior em meio à metrópole

Já se aproximava do meio-dia e o vai-e-vem de pessoas, carros, motos e bicicletas ainda era intenso nas ruas do bairro Curió. Gente que aproveitava para comprar os últimos ingredientes do almoço, voltava para casa ou, simplesmente, batia um papo com quem estivesse de passagem. 

 

“Desculpa, mas não vou poder conversar com você, porque a gente está  falando sobre um assunto de família”, explica uma senhora. Até os assuntos de família, no Curió, são conversadas no meio da rua, não importa se o sol está a pino.


Os primeiros moradores, ao chegarem ao bairro, se depararam com um lugar bucólico, cercado de sítios e de muito verde. “Moro aqui há 19 anos. Vim pra cá porque parecia com o meu interior (a cidade de Trairi)”, relembra o porteiro Pedro Pereira, 54.


A aposentada Maria Antônia, 49, diz ter feito parte do grupo que realizou o primeiro mutirão de casas no bairro. “Tinham poucas casas (na época), mas eu achava melhor. Era aquele clima de interior.” Já a dona de casa Fátima Nascimento, 54, lembra que se reunia com as amigas e os filhos para ir “pegar manga e caju” nas vizinhanças. As ruas, na época, eram só de areia, onde “os meninos jogavam bola”.


Até hoje, o Curió é um bairro bem arborizado. As árvores estão espalhadas nas casas, calçadas e até no meio das ruas e avenidas. O bairro tem até uma floresta para chamar de sua, com 57,35 hectares. Na entrada da Floresta do Curió, é informado que o espaço é o “último enclave de mata Atlântica na zona urbana de Fortaleza”. Espaço privilegiado numa Fortaleza cada vez mais urbanizada.


A proximidade com as lagoas da região (principalmente com a da Precabura) dá ao bairro um clima mais agradável. “Aqui é ventilação direto”, diz Fátima. O problema é que, hoje, devido à poluição, a maioria dos moradores deixou de ter a lagoa como um espaço de lazer, onde se podia tomar banho e pescar.


No começo, Maria Antônia lembra que muitas eram as dificuldades. Era preciso buscar água em cacimbas, o fogão era a lenha. Apesar de reconhecer os avanços na infraestrutura - “para quem chegou por último, está muito bom” -, ela sente saudades do Curió de antigamente: “A gente andava tranquilo”.


A violência é a principal reclamação dos moradores, com o aumento do número de assaltos, homicídios e tráfico de drogas. Porém, isso não tem sido suficiente para quebrar os laços de amizade na vizinhança. “O bom daqui é que o pessoal sai pra calçada”, atesta Pedro Pereira. O bairro mantém um “jeitão” interiorano.

 

Serviço

 

Companhia Energética do Ceará (Coelce)

Telefone: 0800 285 0196

 

O personagem

O comerciante Pedro Egídio, 50, é morador do Curió há 20 anos. “Casei e vim morar aqui. O clima ainda é muito bom por ser próximo de lagoas e praias. O verde é muito grande”, diz Pedro, citando essas como as melhores características do bairro. Mas cobra a instalação de serviços, como bancos. “Se a gente precisar, tem que ir para Messejana ou Centro.”

 

SAÚDE


FALTAM MEDICAMENTOS NA REDE PÚBLICA DO ESTADO E DO MUNICÍPIO


1. Leitora reclama da falta de medicamentos na rede pública de saúde. O tratamento da filha dela, de 7 anos, inclui o uso de ácido fólico e do medicamento metotrexato. O primeiro é distribuído na rede municipal e o segundo, retirado no Hospital Infantil Albert Sabin. Há quase um mês, a leitora não consegue retirar nenhum dos medicamentos. O mais caro (metotrexato) precisou ser encomendado em São Paulo. “Tive de pedir ajuda de familiares para pagar R$ 178 de medicação e frete”, afirma.

RESPOSTA. A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informa, em nota, que, para “os pacientes internados no Hospital Infantil Albert Sabin, há o medicamento metrotexato”. Já a aquisição do medicamento para os demais pacientes está “em fase de finalização do processo de licitação”. Porém, a Sesa não informou o prazo para normalizar a distribuição.


A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) reconhece a falta de ácido fólico na rede, que foi ocasionada “devido ao atraso na entrega por parte da empresa fornecedora”. A SMS diz ainda que o medicamento já foi comprado e deve chegar aos postos de saúde no começo desta semana.

   

CENTRO


LEITOR PEDE REVITALIZAÇÃO DA PRAÇA VISCONDE DE PELOT

2. O leitor Breno F. pede que seja feita a revitalização da praça Visconde de Pelotas, localizada ao lado do Mercado dos Pinhões. Ele reclama da presença de mendigos e moradores em situação de rua no local, que, na avaliação dele, tem afastado os frequentadores da praça.

RESPOSTA. A Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) informa que já realiza atendimento às pessoas que se encontram na praça, por meio do Serviço Especializado de Abordagem de Rua e Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (CentroPop), em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Segundo a Semas, o público está dividido entre catadores de materiais recicláveis, usuários de drogas e egressos do sistema penal.  

 

GOIABEIRAS


POSTES SÃO INSTALADOS INCORRETAMENTE

3. O leitor Genival Pequiar reclama da instalação incorreta de postes no Conjunto Planalto Goiabeiras. Segundo ele, na rua Novo Lar, um poste foi instalado na frente da entrada de uma casa. Já na Travessa Vitória Régia, o poste está localizado no meio da rua.


RESPOSTA. A Companhia Energética do Ceará (Coelce) afirma que fará a regularização dos postes e da rede elétrica do local até o dia 10 de dezembro.


CURIÓ


É a cara do meu bairro

Qual é a imagem que você acha a cara do seu bairro? Participe, envie sua foto para nós: opovonosbairros@opovo.com.br

Floresta do Curió. Com fauna e flora típicas da mata Atlântica, a floresta do Curió é uma bela opção de lazer para os moradores do bairro. “De manhã e à tarde, é cheio de gente. Todo mundo vai pra lá (caminhar)”, afirma o porteiro Pedro Pereira, que considera o espaço como um dos locais mais bonitos do bairro.

 

EM  ALTA


VERDE

Bairro ainda é caracterizado pela presença de muitas árvores, espalhadas em ruas, calçadas ou terrenos
 

EM BAIXA


INSEGURANÇA

O medo imposto pela violência é a principal queixa dos moradores do Curió
 

7 MIL habitantes

Segundo o Censo de 2010 do IBGE, o Curió possui 7.636 moradores, distribuídos numa área de 0,925 km²

 

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