PIB do Ceará deve crescer 5% em 2012, afirma Ipece

PIB do Ceará deve crescer 5% em 2012, afirma Ipece

Dháfine Mazza
dhafine@oestadoce.com.br

A despeito da crise econômica que afeta os Estados Unidos e diversos países da Europa, refletindo também no Brasil, a economia cearense deverá ter resultados bastante positivos no próximo ano. De acordo com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado cresça 5% em 2012, podendo variar entre 4,5% e 5,5%. A previsão está acima da média nacional para o próximo ano, estimada em 3,5% pelo Banco Central, e também é superior à estimativa de fechamento deste ano, que é de 4,1%.

“Este cenário otimista pode ser explicado pela forte capacidade que o Ceará vem apresentando na realização de investimentos com recursos próprios, especialmente em projetos na área social e em investimentos estratégicos estruturantes”, afirma o diretor geral do Ipece, professor Flávio Ataliba, enfatizando que o governo do Estado é responsável pela economia local não apresentar “grandes solavancos” devido à crise econômica internacional, uma vez que o Ceará tem conseguido ampliar sua arrecadação e financiar os investimentos.

O diretor do Ipece explica que, para alcançar a meta de crescimento, o Estado dependerá de resultados positivos em diversos segmentos, com destaque para Comércio, Turismo e Construção Civil, que integram os setores de Serviços e Indústria. Segundo Flávio Ataliba, o setor de Serviços é responsável por 70% do PIB cearense, enquanto a Indústria responde por 24% e a Agropecuária por 6%.

Conforme o estudo do Ipece, as expectativas são animadores para o Comércio no ano de 2012, uma vez que o governo adotará uma série de medidas que irão impactar de forma positiva o setor, como a redução da taxa de juros e de impostos (IPI) incidentes nos produtos industriais, mas com rebatimentos nas vendas comerciais. Isso sem falar na adoção do novo valor do salário mínimo, que deverá incrementar as vendas do comércio.

No Turismo, as expectativas também são otimistas. De acordo com o diretor do Ipece, a previsão é que o Ceará receba, em 2012, aproximadamente 2,9 milhões de turistas, crescimento de 3,6% em relação a 2011. A taxa de ocupação hoteleira deverá ser de 73%, um crescimento de três pontos percentuais em relação a 2011 e de 6,4 pontos percentuais em relação a 2010 (66,6%).

Já para a Indústria, que é composta por quatro ramos (Indústria Extrativa Mineral, Indústria de Transformação, Construção Civil e Eletricidade, Gás, Água e Esgoto), sendo influenciada, sobretudo, pela Indústria de Transformação, o destaque deve ser a Construção Civil. “A preocupação fica com a Indústria de Transformação e segmentos importantes como Calçados, Têxtil e Vestuário, que são os principais produtos da produção e que, nos últimos anos, vêm sofrendo uma acelerada competição externa com os produtos da China”, afirma a analista de Políticas Públicas do Ipece, Eloísa Bezerra.

Na avaliação do diretor do Ipece, os investimentos públicos do governo têm ajudado a contribuir para a dinamicidade do setor de Serviços, bem como para a Construção Civil. “Em 2012, serão concluídos empreendimentos como o novo Centro de Eventos do Ceará, que irá potencializar ainda mais o setor de Serviços. Também terá início a construção do Acquario Ceará e de outras obras que irão criar demandas para outros setores”, diz.
Com relação à Agropecuária, o estudo do Ipece destaca que o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indica para as regiões Norte e Nordeste do Brasil, em 2012, a probabilidade de 40% das chuvas ocorrerem na categoria normal e 35% na categoria excessiva, com a ocorrência do fenômeno La Ninã. Se as previsões forem confirmadas, pode-se esperar um cenário favorável para a agricultura.

DESEMPENHO PODERIA
SER MELHOR

Apesar da perspectiva positiva, o diretor geral do Ipece acredita que os resultados poderiam ser melhores, uma vez que o PIB do Estado representa apenas cerca de 2% do PIB brasileiro.
“É possível que a gente aumente a participação do PIB cearense no PIB nacional para 2,6%. Mesmo assim, ainda é um número pequeno, se considerarmos que, no que diz respeito à população, a participação do Ceará é de 4,4% na população do Brasil. Assim, a participação do PIB do Ceará no nacional deveria ser igual à participação do Estado na população do País. Esse é um desafio para o governo do Estado”, afirma Flávio Ataliba.

REDUÇÃO DA POBREZA
É DESAFIO

Para o diretor do Ipece, outro desafio do governo do Estado é reverter o crescimento econômico em redução da pobreza e das desigualdades sociais. “Um elemento importante para isso é que temos a garantia de que o PIB do Ceará irá crescer acima da média nacional. É preciso ter uma economia dinâmica e sustentável para adotar estratégias de combate à pobreza. Contudo, o Estado precisa realizar mais esforços para caminhar nesta direção”, avalia.

De acordo com o estudo do Ipece, o investimento do governo na área social será um dos maiores em 2012. Dos R$ 18,3 bilhões do orçamento previsto para 2012, R$ 4,7 bilhões (25,69%) serão para a área social. O montante só perde para os investimentos na área de manutenção e gestão do Estado (R$ 5,6 bilhões ou 30,6%).
Em seguida, aparecem os investimentos em infraestrutura (R$ 3,158 bilhões ou 17,24%), encargos gerais (R$ 3,117 bilhões ou 17,02%), demais secretarias (R$ 1,4 bilhões ou 8,09%), outros poderes (R$ 197,2 milhões ou 1,08%) e reserva de contingência (R$ 50,1 milhões ou 0,27%).

“O governo não está dando prioridade aos gastos com infraestrutura, mas sim aos gastos com o social. O desafio que se coloca é verificar a eficiência desses gastos na área social. Verificar como eles estão chegando da melhor maneira possível para a população mais carente”, destaca Flávio Ataliba.