Sites de relacionamentos

Sites de relacionamentos

A tecnologia assusta. As novidades são a cada instante. Em meio a essas novidades, surgiu uma que preocupou muito, e ainda preocupa, os pais e educadores. Trata-se dos sites de relacionamentos. Para mim, esse medo é maior do que o real.

 

Digo isso, porque de novidade mesmo, só tem o site (internet). O relacionamento em grupos e em locais para onde convergiam os amigos, ou parentes, sempre existiram. Podia ser na calçada da casa, na esquina, debaixo da mangueira, no bar mais próximo, na saída do colégio, nos bancos da praça ou em qualquer outro lugar. O fato é que agente passava hora e horas conversando. Nossos pais ficavam preocupados com o que e com quem estávamos conversando horas e horas. Temiam assuntos perigosos e prejudiciais. Quando tinha um “estranho” no meio, ai a coisa complicava e a preocupação era maior ainda.


As preocupações eram as mesmas de hoje: o enorme tempo destinado a conversas; o dormir tarde; a concorrência com os estudos; o conteúdo da conversa; as pessoas envolvidas; a presença de estranhos; o que estavam fazendo e tantas outras mais.


Fazendo um paralelo entre essas conversas e os sites de relacionamentos, identifiquei duas diferenças básicas. 1- a conversa passou de real para virtual, ou seja, de presencial para a distância; 2- no real ou presencial, a maior preocupação era o contato físico, embora mais fácil de monitorar, enquanto no virtual ou a distância, o acompanhamento tornou-se mais difícil por envolver pessoas distantes, desconhecidas e de cultura e valores bem diferentes.


A minha intenção ao expor essas considerações é suavizar possíveis tensões e preocupações dos pais e educadores com relação à participação dos filhos nos sites de relacionamentos. Nossos pais tiveram também tensões e preocupações com os grupos de amigos com quem nós tanto conversávamos. A conversa física, depois de algum tempo “evoluiu” para ser por carta ou por telefone. Isso tudo era exatamente o site de relacionamentos da nossa época. Nossos pais passaram por isso e nós, aqui, estamos inteiros e felizes. Eles e nós soubemos administrar a situação. Não vai ser diferente com relação a nós e aos nossos filhos hoje. Nós e eles também podemos administrar bem essa situação e eles, com certeza, vão seguir o seu caminho, mesmo com os sites de relacionamentos, e serão muito felizes, com as bênçãos de Deus.


A convivência é algo fantástico. Educar é simplesmente algo maravilhoso. Pode ir em frente, sem medo e sem traumas. Com zelo, paciência e cuidado, tudo vai dar muito certo. Acredite.


José Milton Cerqueira

jmcerqueira@uol.com.br

Educador e advogado,

Ex-Conselheiro do Conselho de Educação do Ceará (EEC)