Tensões entre a Igreja Católica e o governo na China

Tensões entre a Igreja Católica e o governo na China

Beijing – O reverendo Peter Liu Yongbin, com um microfone sem fio preso à cabeça, lançou um olhar sobre os possíveis convertidos e percorreu o beabá da fé católica romana. Apresentou uma versão resumida da árvore genealógica de Abraão, os benefícios de uma confissão frequente e um guia rápido da hierarquia da Igreja. "Pensem no papa como equivalente ao ministro numa burocracia governamental", explicou.

Fez então uma pergunta surpresa. E se a China passasse por outra Revolução Cultural, a década traumática de fanatismo maoísta, durante a qual os praticantes de religiões foram perseguidos?

"Se um membro da Guarda Vermelha puser uma faca no seu pescoço e lhe disser para renunciar à sua fé, o que você deve fazer?", perguntou a sessenta iniciandos, todos deles a poucas semanas do batizado. Após um silêncio constrangido, Liu soltou a resposta: "Nunca renuncie", disse ele, arregalando seus olhos para dar mais efeito. "Sua devoção deve ser a Deus, acima de tudo."

Tais sentimentos podem ser um pilar na fé cristã, mas eles beiram a traição na China, um país oficialmente ateu, que exige a fidelidade ao Partido Comunista. O papa pode ser um ministro em ascensão, mas, segundo o pensamento do partido, o presidente Hu Jintao é o líder supremo do catolicismo, ao menos na China.

Como sacerdote numa igreja oficialmente aprovada – em oposição à legião de congregações não oficiais ilícitas – Liu luta para deixar sua fé em equilíbrio com as determinações invasivas da Associação Católica Patriótica Chinesa, o onipotente corpo governamental que supervisiona a vida religiosa dos doze milhões de católicos romanos na China. (Estima-se que quase metade desses católicos frequente igrejas clandestinas).

Esse tipo de controle é compartilhado pelas lideranças das outras quatro religiões oficiais da China – o protestantismo, o islã, o budismo e o taoísmo – que devem responder tanto à autoridade estatal quanto às exigências de sua fé.